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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Resultados do Concurso "Novo Acordo? Eu sei!"

A aluna Mariana Negrão Barros foi a grande vencedora do Concurso de Ortografia da Biblioteca Escolar e a quem desde já enviamos as melhores felicitações!

Agradecemos ainda a colaboração das Professoras de Português do 2.º Ciclo!


 Parabéns Mariana!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Resultados do Concurso de Escrita Criativa da Semana da Leitura

Já foram selecionados os vencedores do Concurso "Uma imagem, a minha história", um por cada ciclo de ensino. Muito obrigada igualmente à EB1 de Vale da Pedra que participou massivamente e também à EB1 de Casais Penedos pelo seu texto coletivo. Relembramos que todos os concorrentes receberão um certificado de participação!

Confiram agora aqui os três primeiros lugares:


                 No Reino das Túlipas



Era uma vez, numa cidade de França, em meados do século XIX, uma família muito rica, composta por uma mãe, um pai e três lindas filhas. As meninas eram tão lindas à nascença que lhes puseram os melhores nomes da época. Com doze anos de idade, a mais velha chamava-se Alice. Com oito anos, a do meio chamava-se Nicole. A mais nova, Jaqueline, tinha cinco anos. Eram lindas, magníficas, com muita graciosidade e com tanta beleza como nunca se vira na face deste mundo, nem do outro. Diziam-se ser abençoadas pelos deuses. Mas nos seus nascimentos houve uma enorme curiosidade, porque elas nasceram no mesmo dia, na mesma hora, no mesmo minuto…o que leva esta história a ser contada.
Certo ano, nos seus aniversários, receberam um livro bem grande, com uma grande e dura capa, que lhes dera um senhor que elas mal conheciam, que lhes disse, a meio da festa, que só deveriam abrir o livro quando o mundo já não fizesse sentido para elas, quando o mundo a que elas se habituaram tanto se desmoronasse numa grande catástrofe familiar.
Elas seguiram as suas indicações e não abriram o livro. Depois desse aviso o livro foi posto numa estante da biblioteca em sua casa, onde se encontravam todas os livros que alguém poderia imaginar. Passaram-se quatro anos e o livro, nunca aberto, foi deixado para trás sem nunca ser lido, sem nunca ter sido visto, sem nunca ter sido amado.
Mas num dos seus aniversários, os seus pais morreram num acidente de cavalo e foram deixadas as despesas paras as três filhas. Ia-lhes ser tudo retirado… mas a Alice lembrou-se do livro. Cheia de esperança no coração foi buscá-lo e, junto com as irmãs, virou a página. Uma certa curiosidade apareceu entre os seus corações destroçados. De repente o livro começou a ganhar vida, um buraco negro apareceu e começou a engolir as três irmãs, que se agarraram umas as outras. Então viram-se num mundo estranho, uma autêntica fantasia. Aquele era outro mundo complemente diferente: os rios eram de chocolate, os pássaros falavam e as árvores dançavam levemente ao som do vento. Aquele mundo era mais que um sonho, era uma coisa inimaginável.
Longe do rio onde elas estavam havia um castelo bem grande para onde elas correram, e em menos de duas horas chegaram lá. No palácio tudo era de ouro, prata e cobre. Era fenomenal. De repente apareceram três rapazes que eram os reis daquela terra, um mais novo com nove anos, outro com doze anos, e o mais velho com dezasseis anos. A Nicole aproximou-se do irmão do meio mas Alice deu-lhe logo uma palmadinha na mão e perguntou-lhes quem eram. Os rapazes disseram que o mais novo se chamava Peter, o do meio se chamava Richard, e mais novo se chamava Michael. Eles tinham nascido no mesmo dia e estavam à espera que um dia as profetizadas da lenda aparecessem num dia de calor intenso com um arco-íris.
A Nicole e a Jaqueline ficaram espantadas porque elas poderiam ser as meninas da profecia. O Michel explicou que havia uma guerra com o reino das túlipas que era o reino vizinho e que as três profetizadas iriam derrotar o Reino das Túlipas comandado por Gisèle. As mais novas ficaram de boca aberta e disseram que o fariam com toda a certeza e que iriam ajudar, mas Alice não aceitou e foi-se embora rapidamente. As irmãs disseram aos reis para não se preocuparem com ela, que ela viria.
Quando Alice fugiu para junto do lago viu um gato da cor de uma túlipa vermelha que começou a falar com ela e lhe disse que os rapazes que ela tinha visto eram maus, que o Reino das Túlipas era um único reino, que a rainha Gisèle comandava e eles se rebelaram contra ela e querem destrui-la. Então a Alice pediu ao gato que a levasse para junto da rainha Gisèle e que ela própria os derrotaria.
O gato foi directamente ter com a rainha. A rainha avisou Alice que os rapazes tinham enfeitiçado as suas irmãs e que se ela não os derrotasse elas poderiam sofrer muito. Com isso a Alice pediu que o gato a ajudasse a encontrar mais alguém que pudesse derrotar os irmãos, e ele indicou-lhe o chapeleiro maluco. Então Alice foi ter à casa onde se encontrava o chapeleiro.
Ele imediatamente aceitou ajudá-la- Prepararam-se e foram para o palácio dos irmãos. Nicole e Jaqueline estavam lá. Alice hesitou um bocado, mas o gato disse-lhe que se ela queria  voltar a ter as suas irmãs teria de derrotar os irmãos. Alice empunhou a espada que tinha na cintura e junto com o chapeleiro louco e o gato cor de tulipa, correram em direcção a eles, mas as irmãs meteram-se à frente. Alice deixou cair a espada e disse às irmãs para não se esquecerem que ela as amava, apesar de tudo, e que os seus pais não gostariam de as ver contra ela. Então as meninas começaram a chorar e, num ato de magia , recuperam do seu transe e revoltaram-se contra os irmãos, que foram derrotados facilmente pelas irmãs e os seus companheiros .
Aparece depois Gisèle que as coroa heroínas do Reino das Túlipas e lhes dá um grande tesouro cheio de moedas de ouro e relíquias que já davam para pagar as dividias. Nesse momento, o gato cor de túlipa transformou-se num lindo rapaz que disse a Alice que ela nunca mais se poderia esquecer daquele dia, pois fora o dia em que ela mostrou coragem e força de espirito. Alice, chorando de alegria, agradeceu. O chapeleiro agarrou no chapéu e disse palavras mágicas, o que fez com que aparecesse um buraco negro que começou a sugar as meninas, sem que Alice se pudesse despedir do gato ou rapaz, ela nem sabia o nome dele.
Quando chegaram a casa e caíram no jardim, a Jaqueline e Nicole não se recordavam de nada, mas Alice, ainda um pouco confusa, lembrava-se de tudo. Um cobrador que lhes ia tirar a casa apareceu logo depois. Alice deu-lhe um pouco do tesouro e tudo se resolveu.
Passado um mês desse acontecimento foi o aniversário das três irmãs e fizeram uma festa. Nessa festa Alice estava aborrecida porque ainda não se esquecera do gato e do Reino das Túlipas. Entretanto viu ao longe um gato, um gato cor de túlipa vermelha, perto de uma árvore distinta. Quando lá chegou fez uma festa ao gato, olhou para o céu e disse:
- O reino das Tulipas é real. Nunca hei de deixar essa memoria ir-se embora de mim, prometo gato. Prometo nunca deixar a minha família, prometo ser forte .
O gato sorriu e foi-se embora. Alice, chorando, gritou que ia ter saudades dele.
E assim acaba esta história. Por agora…

Jéssica Gregório Martins, n.º 9 do 7.º B
3.º Ciclo


Uma viagem pela língua Portuguesa

Três meninas pequenas estudavam gramática. Estavam todas no segundo ano da escola Filipe I, que era numa pequena aldeia, perto de Matosinhos.
Essas três meninas eram trigémeas. Eram as trigémeas Ana, Andreia e Adriana. Eram boas meninas mas não gostavam de português. Achavam a disciplina chata e aborrecida.

_ Então, o sujeito é a parte da frase que tem o verbo - afirmava Ana.
_ Não, não é nada! , é aquela parte que se pode tirar e pôr e que complementa a frase, e que se pode mover para todos os lados! – exclamava Adriana, com um ar muito chateado.
_ Não, não é! É óbvio que é a parte que tem o nome da pessoa – replicava a Andreia.
            Estas irmãs eram muito unidas em tudo. Até completavam frases e liam pensamentos umas das outras. Excepto no Português. No Português estavam sempre a discordar de tudo o que diziam.
            Já fartas daquela gramática horrível, deixaram o livro pisado no muro onde estavam sentadas e foram brincar. Brincaram a tarde toda e depois à noite, foram para casa, deixando o livro no muro.
À hora de deitar desabou uma tempestade com raios e trovões. A Adriana olhou para a rua, pela Janela, e viu o pobre livro de Português todo encharcado.
_ Temos de o ir lá buscar, senão amanhã não podemos fazer a lição! Pensem só o que vai dizer a Professora! ­_ exclamou a Andreia.
_ Pois é, vamos lá, temos de o recuperar!_ completou a Ana.
E lá foram. Saíram a correr, pegaram no livro e voltaram para casa. Colocaram o livro à lareira, para ele secar. A Ana começou a folhear o livro, para ver o seu estado e encontrou uma nota.
_ Venham cá ver!_Disse ela. E começou a ler:
“A gramática é mais divertida quando se tem vontade, e quando se estuda. Não se esqueçam de que a língua Portuguesa é a vossa língua e que sem ela não poderiam falar, cantar e tudo mais!” É tudo.
_Será que foi a Professora Ana Mafalda Martins que a escreveu? _ questionou a Ana.
_ Não sei, mas temos de ir dormir. Amanhã perguntamos. _respondeu a Andreia.
E lá foram. No dia seguinte, na escola, perguntaram à Professora se tinha sido ela, mas ela respondeu que não.
As trigémeas podiam ter ignorado a nota mas não O fizeram. Começaram a estudar com afinco todos os dias e depressa se tornaram nas melhores da turma. Por isso lembrem-se, estudem muito!



Matilde Ribeiro Neto, n.º 20 do 6.º A 
2.º Ciclo



Uma história antiga


Era uma vez três meninas que se chamavam Mariana, Inês e Leonor. Um dia foram a um sótão velho e sujo, onde a Inês encontrou um livro. A Leonor disse:
             _ Oh! É só um livro velho e poeirento!
Quando a Inês o abriu saiu lá de dentro uma certa magia. A Mariana exclamou:
            _ Parece um livro mágico!
Então a Inês abriu o livro e entrou na história. A Mariana e a Leonor fizeram o mesmo e todas entraram na história mágica. Lá dentro elas encontraram uns extraterrestres, metade cor-de-rosa e metade amarelos que lhes apresentaram a cidade chamada Comilónis, porque as criaturas que lá viviam comiam a toda a hora.
Um dia surgiu uma emergência porque um ladrão entrou para dentro do livro e roubou a princesa Sofiazónis. Ele levou-a para a cidade de Dragãotouros, onde os habitantes eram metade dragão e metade touros. O ladrão levou a princesa para uma montanha chamada Pico-pico-sarabico onde viviam muitos picos e muitos sabichões. E mesmo no topo da montanha, o ladrão viu uma casa e foi a correr para lá. O ladrão não queria fazer mal à princesa, ele só queria o seu colar mágico. Quando estava quase a conseguir tirar o colar à princesa, apareceram as três meninas, a Mariana, a Inês e a Leonor que a iam salvar. Assim a Inês levou a princesa, a Mariana levou o colar e a Leonor deu pontapés ao ladrão enquanto as suas irmãs fugiam. Depois saiu pela janela e foi ter com as irmãs.
Demoraram sete dias e meio a voltarem ao castelo pelo que tiveram que ir a um mercado comprar toda a comida possível. Quando chegaram ao castelo, a princesa saltou para o seu trono. O prémio das meninas foi ganharem colares mágicos, para que, quando desejassem voltar ao livro, os colares mágicos as levassem. Finalmente estafadas chegaram a casa e foram dormir.
Na manhã seguinte a mãe e o pai ficaram muito felizes ao verem as filhas a dormirem muito sossegadas. E ninguém soube o que aconteceu.



 Margarida Figueiredo Palma, n.º 21 do 3º L
EB1 de Vale da Pedra




O quadro misterioso
Texto coletivo


A minha mãe, estas férias da Páscoa, resolveu que o melhor era eu passar uns dias em casa da minha avó Maria. Ela diz que eu passo as férias só a jogar no computador, no telemóvel, na PSP, na WII e não faço mais nada de interessante.
Lá fui eu, de bagagem na mão, apanhar o Comboio para a Aldeia do Piódão. A minha avó vive numa casa de xisto, pequena, mas muito misteriosa.
Depois de explorar a aldeia e de reencontrar o Guilherme e o Dário fomos para o sótão da avó brincar. O sótão estava poeirento e muito escuro. Havia um grande baú, que ao abri-lo descobrimos um quadro que nos deixou curiosos.
Fomos logo chamar a avó Maria, que estava a acabar um bolo de chocolate para o nosso lanche. Aproveitámos para lanchar e falámos com a avó sobre o quadro. Ficámos a saber uma bonita história dos nossos antepassados.
A avó contou-nos que aquelas três meninas do quadro eram ela própria, a sua irmã Joaquina e a sua prima Adélia. Eram as três muito amigas e gostavam muito de ler. Inventavam muitas histórias e escreviam--nas para mais tarde no Natal as poderem ler à família. O melhor presente de Natal eram as histórias de fantasias contadas pelas três meninas. A avó que ainda tinha o livro bem guardado leu-nos algumas dessas histórias.
A partir dessas férias eu e os meus amigos decidimos escrever as nossas aventuras no Piódão. Talvez um dia, os nossos bisnetos encontrem as nossas histórias escondidas num baú de algum sótão…
                                                                                                           EB1 Casais dos Penedos
                                                                                        Turma I


1.º,2.º, 3.º e 4.º anos

A Cor das Letras

Já foram selecionados os vencedores do Concurso "A cor das Letras" com a EB1 de Casais Penedos a arrecadar os três primeiros lugares. Muito obrigada igualmente às escolas de Vale da Pedra e de Casais Lagartos que também participaram. Lembramos que todos os concorrentes receberão um certificado de participação!





Confiram agora aqui os três primeiros lugares:


1.º Prémio: Rodrigo Miguel Tristão, n.º 7 do 2.º I da EB1 de Casais Penedos

Um L de leitura em forma de minhoca


2.º Prémio: Luna Mendão Vieira, n.º 6 do 2.º I da EB1 de Casais Penedos

Um L de leitura muito coquette

3.º Prémio: Lucas Milhai Lupsa, n.º 5 do 2.º I da EB1 de Casais Penedos

Um L de leitura feito com todas as letras do alfabeto!




Muitos Parabéns aos três vencedores!

domingo, 23 de março de 2014

O Príncipe Feliz- Sessão de Promoção da Leitura

Com o objetivo de apoiar o desenvolvimento curricular - uma das principais missões da Biblioteca Escolar -, decorreram na Semana da Leitura do Agrupamento D. Sancho I de Pontével, várias sessões de promoção da leitura sobre O Príncipe Feliz do grande e carismático escritor Irlandês Oscar Wilde, obra de leitura extensiva obrigatória para as turmas do 9.º ano.
A narração da história por intermédio de um teatro de sombras ajudou a criar o ambiente encantatório para transportar os alunos para o universo, aparentemente simples, de O Príncipe Feliz. Também, a partir de um diálogo socrático que contou com a participação dos professores acompanhantes, discutiram-se os valores transmitidos nesta obra intemporal tais como a abnegação, a misericórdia, a compaixão e o amor e foram identificadas críticas declaradas às assimetrias sociais, ao regime político e até às conceções artísticas do século XIX.



Deixamos-vos agora o testemunho da aluna Mariana Ferreira do 9.º A sobre a nossa Semana da Leitura:

A leitura é uma forma de felicidade, é abrir os nossos horizontes a coisas novas…. E como não podia deixar de ser, a Biblioteca Escolar da minha escola, D. Sancho I de Pontével, mais uma vez comemorou a alegria da leitura na semana de 17 a 21 de março.

No âmbito da 8ª edição da Semana da Leitura e da comemoração dos 800 anos da Língua Portuguesa, foram realizadas várias atividades tais como a exposição “A minha Pátria é a Língua Portuguesa” - numa alusão a Bernardo Soares-, sessões de leitura pela escritora Manuela Castro Neves, vários concursos de desenho e de escrita criativa, e sessões de promoção do livro, nomeadamente “O Príncipe Feliz”, que se fez acompanhar de um teatro de sombras. Com um ambiente relaxante e com a imaginação para que o teatro nos leva, conseguiu-se mostrar a nós, alunos, o que é viver, e que por vezes temos de nos unir para ajudar o próximo. Depois de contada a história, fizemos um debate orientado sobre a mesma.
O Príncipe Feliz é uma história de amor supremo, em que a andorinha, dantes vaidosa, tola e egoísta, com a ajuda de um grande amigo, consegue aprender a ver para além da sua vida, para além do seu ser. Colaborando com o Príncipe Feliz, que só depois da morte descobriu toda a tristeza da sua cidade, pois a miséria representa um grande mistério mesmo para aqueles que não a sentem, ajudaram todos aqueles que mais necessitavam. Ao retirar a riqueza e a beleza que a estátua ostentava, proporcionaram a partilha de amor entre todos.

Foi espantoso ver a generosidade do príncipe e a fidelidade da andorinha para com ele, que era eterna, tal como o seu amor e a sua vontade de ajudar. E assim, a melhor forma de sermos felizes e recompensados é fazermos o bem ao próximo

Com uma história para crianças, e também para aqueles que já o foram, Oscar Wilde, o escritor de “O Príncipe Feliz”, lembra-nos que, como disse Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Eu, como aluna do nono ano, gostei particularmente desta atividade. Foi muito bom ouvir uma história assim, pois toca no coração de quem a ouve, e é sempre bom quando isso acontece.

Mariana Ferreira do 9.º A

Agrupamento D. Sancho I de Pontével
 

 
 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poesia ao entardecer - Semana da leitura 2014



Numa articulação entre a Biblioteca Escolar e o Subdepartamento de Português, decorreu no dia 20 de março de 2014, em antecipação do Dia Mundial da Poesia, uma sessão de leitura de poesia intitulada "Poesia ao entardecer" onde, e na senda da comemoração dos 800 anos da Língua Portuguesa, apenas se fizeram ouvir autores Lusófonos. 

Daniel Filipe, Natália Correia, Miguel Torga, Ary dos Santos, Camilo Pessanha, António Gedeão, José Saramago, Fernando Pessoa, Eugénio de Castro, António Aleixo, Florbela Espanca, e tantos outros, fizeram-se ouvir nas vozes dos alunos do 9.º B e D e de alguns alunos do 7.º D.

As palavras de "A Valsa" de Casimiro de Abreu saltaram, voaram, brincaram, bailaram na voz da Professora Rosa Fróis que, qual silfo risonho que nos sonhos nos vem, encantou com o seu fôlego e mestria.
E não minto. Eu vi! 




Numa lógica de crescente abertura da escola à comunidade educativa, a segunda parte da sessão teve como convidada de honra a Dr.ª Paula Leal, Encarregada de Educação de dois alunos do Agrupamento D. Sancho I de Pontével. 
Esta Encarregada de Educação deu-nos um significativo testemunho da sua relação com a leitura. Uma relação que começou muito cedo, há mais de trinta anos, quando a vinda da carrinha da biblioteca itinerante da Gulbenkian fazia a festa da pequenada e a leitura era a única distração.

Mais tarde Cyrano de Bérgerac e a história de uma mulher que se deixa seduzir pela magia das palavras encantou-a. José Saramago começou como uma obrigação escolar mas atualmente As intermitências da morte e a história de uma morte cansada de ceifar vidas faz parte das suas preferências. E apesar de não ter um livro da sua vida, O memorial do Convento é o seu livro preferido quando se fala do Nobel Português.




O jogo de Ripper de Isabel Allende, Ínclita Geração de Isabel Stilwell e A queda dos gigantes de Ken Follet foram alguns dos livros que nos trouxe esta grande leitora que também gosta de cruzar as suas leituras com as dos filhos que lhe copiam o hábito de acumular livros na mesinha de cabeceira. Realmente não basta explicar aos mais jovens o fascínio da leitura, é preciso dar-lhes o exemplo.
 
 
Agradecemos imenso a presença desta Encarregada de Educação que esperamos que seja também o motor de arranque para a participação mais frequente de mais Encarregados de Educação nas atividades da Biblioteca Escolar.

quarta-feira, 19 de março de 2014

A cadela amarela contada pelos alunos do 4.º F da EB1 de Pontével

Encontro com a escritora Manuela Castro Neves, natural de Pontével

Manuela Castro Neves, natural de Pontével, foi a escritora convidada para a Semana da Leitura 2014 do Agrupamento D. Sancho I de Pontével. Depois de trabalhados os livros O Elefante diferente que espantava toda a gente e A cadela Amarela e outros amigos dela na Biblioteca Escolar com todas as turmas da EB1 de Pontével, chegou finalmente o dia 19 de março, dia do Pai e dia de conhecer pessoalmente a escritora dos livros que foram do agrado dos alunos.
Sem outra marca de excentricidade que a sua sombrinha cor-de-rosa, Manuela Castro Neves chegou à Escola Básica D. Sancho I onde a esperava uma profusão imensa de desenhos sobre as obras lidas e o primeiro grupo do 1.º e 2.º anos. Depois de algumas perguntas sobre o seu percurso profissional e a sua incursão na escrita infanto-juvenil, Manuela Castro Neves conduziu um jogo de palavras e de rimas nas quais os pequenos grandes leitores participaram com entusiasmo e demonstrando conhecer a história na ponta da língua.


A segunda sessão iniciou-se com a leitura do reconto de A cadela diferente por alunos do 3.º e 4.º anos e que foram muito elogiados pela convidada de honra. O segundo grupo quis também saber mais sobre a vida pessoal e profissional desta ilustre cidadã nascida em Pontével que se assume como Professora - apesar de reformada continua a trabalhar com crianças que se atrasaram no percurso escolar - e que por isso mesmo prefere ser tratada por autora.

Contou ainda algumas histórias sobre a sua infância, dos lanches em casa de Maria de Almoster em que esta última lhe pedia para verificar a correção das rimas, de quando ainda miúda escreveu em verso ao escritor João do Vale e da correspondência em verso que mantiveram durante algum tempo - experiências que a seu ver talvez tenham sido responsáveis pelo seu gosto pelas rimas, embora agora gostasse de experimentar a prosa. Lamentou não conhecer muito bem a terra onde os seus pais começaram a namorar nos bancos da escola e onde depois acabaram por casar.
Após este momento mais intimista seguiu-se a leitura de outros textos da autora, mais jogos com rimas e o visionamento de alguns dos seus poemas mais emblemáticos. O encontro terminou com a já habitual sessão de autógrafos e a promessa de continuar a escrever para crianças.
Muito agradecemos a vinda desta autora que esperamos deixar uma marca indelével nas vivências destes pequenos grandes leitores. Agradecemos ainda a sua oferta do livro Tantos Animais e outras histórias de contar que ficará em breve disponível para requisição domiciliária.
Agradecemos ainda às Professoras da EB1 de Pontével a sua vinda e o apoio a esta atividade!


Confiram aqui os trabalhos dos alunos da EB1 de Pontével realizados a parttir da exploração das obras e que muito agradaram à nossa convidada: 








Para saber mais:




NomeManuela Castro Neves

NaturalidadeNasceu em 1958 em PONTÉVEL
Profissão : Professora do 1º Ciclo
Percurso Profissionalreformada do Ensino Público, trabalha actualmente no apoio a crianças que se atrasaram no percurso escolar.
Percurso: Ao longo da sua carreira, participou, em diversos projectos centrados nas problemáticas da relação escola/meios populares e promoção do sucesso escolar em zonas de Intervenção Prioritária.

É autora dos livros:
«Da Vida na Escola» (Edições Asa, 2006)«Pedagogia Intercultural» (Departamento de Educação Básica, Ministério da Educação, 1992)«Organização de Trabalho na Sala de Aula — Uma Prática Alternativa» — Projecto Gulbenkian R3 (Edição Fundação Gulbenkian, 2007)

LITERATURA PARA CRIANÇAS:
«Um Elefante Diferente» — literatura para a infância, (Ed. Caminho/Leya, 2009)«Uma Cadela Amarela» — literatura para a infância, (Ed. Caminho/Leya, 2012)

terça-feira, 18 de março de 2014

Histórias entre avós e netos - Semana da Leitura 2014

Numa das já muitas articulações entre a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica e a Biblioteca Escolar da Escola Básica D. Sancho I de Pontével ao longo do presente ano letivo, agora no âmbito das comemorações da Semana da Leitura, realizou-se no dia 18 de março de 2104, um Chá com Letras subordinado ao tema "Histórias entre avós e netos"que teve como dinamizadores os alunos da disciplina de EMRC e como convidados de honra os utentes do Centro de Dia de Pontével.

 

A "Párabola dos sete vimes" deu o pontapé de saída para outras leituras e a sessão culminou com um jogo em que os avós tinham de completar provérbios e responder a adivinhas lançados pelos netos. 

Após este encontro intergeracional à volta da leitura, os convidados tiveram ainda a oportunidade de apreciar a exposição "A espuma dos nossos dias" da responsabilidade da disciplina de EMRC que dá conta do dia-a-dia destes utentes no Centro de Dia de Pontével. 

Ler em várias línguas - Semana da Leitura 2014



Numa articulação entre a Biblioteca Escolar e o Departamento de Línguas, ainda no âmbito das comemorações da 8.ª Edição da Semana da Leitura, realizou-se no dia 18 de março de 2014, uma atividade intitulada "Ler em várias Línguas".

Participaram na atividade alunos das turmas A, C e D do 7.º ano e duas alunas do 8.º A através da leitura de textos selecionados nas línguas estudadas no Agrupamento D. Sancho I de Pontével: Inglês, Francês e espanhol. 

A atividade teve como objetivo sensibilizar os alunos para o plurilinguismo na Europa, cultivar a diversidade cultural e linguística e incentivar a aprendizagem de línguas estrangeiras, dentro e fora do contexto escolar. A União Europeia, de que Portugal faz parte, possui um imenso património linguístico: 23 línguas oficiais e mais de 60 línguas regionais ou minoritárias, além das línguas faladas pelas pessoas de outros países e continentes que vivem na Europa. 

De facto, nunca será demais comemorar a diversidade linguística e fomentar a aprendizagem das línguas, sobretudo porque as línguas são um dos fundamentos da construção europeia. De igual modo, numa sociedade tão globalizada como aquela em que vivemos, o domínio de línguas estrangeiras pressupõe mais possibilidades de encontrar um emprego e por conseguinte melhores condições de vida. 

Para além da vertente pedagógica que a atividade encerrou - a consciência precoce da diversidade linguística -, a mesma procurou subliminarmente contribuir para a aceitação do outro e o desenvolvimento de sentimentos de tolerância entre povos e culturas em redor de um bem precioso que não conhece fronteiras geográficas ou linguísticas: a leitura!

segunda-feira, 17 de março de 2014

O Pássaro da Alma - Semana da Leitura 2014

No âmbito das comemorações da 8.ª Edição da Semana da Leitura, realizaram-se de 17 a 21 de março, diversas sessões de promoção do livro e da leitura dirigidas a todas as turmas do 6.º ano e que tiveram como ponto de partida O Pássaro da Alma da escritora israelita Michal Snunit. Irene Vieira da Silva, assistente operacional da Escola Básica D. Sancho I de Pontével, conseguiu, com toda a sua generosidade e sensibilidade, transmitir toda a carga poética de uma obra que se tornou num bestseller a nível mundial e foi já galardoada com o Primeiro Internacional atribuído pela Fundação Espaço Crianças em Genebra no ano de 1993. 



Através de adereços encantadores e da leitura dramatizada desta obra, a nossa contadora de histórias conseguiu explicar, de forma igualmente delicada e poética, a relação entre a nossa alma - que vive no fundo do nosso corpo e que tem no centro um pássaro que sente tudo o que nós sentimos- e nós mesmos!

"O Pássaro da Alma tem imensas gavetas. Tudo o que sentimos tem uma gaveta"

Na segunda parte da sessão os alunos foram convidados a abrir uma gaveta da sua alma e descrever um sentimento, cumprindo também o desígnio desta obra, que é precisamente levar-nos a escutar o nosso Pássaro da Alma e conversar com ele sobre os sentimentos que guardamos nas inúmeras gavetas da nossa alma.  

O livro de Michal Snunit tem sido requisitado a toda a hora e já se tornou parte do quotidiano na biblioteca com alunos a dizerem "Hoje na aula abri a gaveta do desassossego!" e professores a pedir aos alunos para abrirem a gaveta do silêncio ou da sabedoria. 

   

Destaque para um dos momentos de partilha destas sessões em que as crianças e a Professora de Educação Musical retribuíram a história com uma sentida canção.

Os Dias do Cinema Português - Semana da Leitura 2014



No âmbito das comemorações da 8.ª Edição da Semana da Leitura realizaram-se na Biblioteca D. Sancho I - Pontével, diversas sessões subordinadas ao tema "Os Dias do Cinema Português - um olhar retrospetivo" da responsabilidade de Anabela Garrido, Assistente Operacional do nosso agrupamento, para duas turmas do oitavo ano . 

A leitura, na sua aceção mais simples, opera-se através da língua, mas esta também é possível através de sinais não-linguísticos. A leitura, em todas as suas vertentes e suportes, não se restringe à palavra escrita mas alarga-se ao mundo que nos rodeia. Cabe ao leitor, accionando um conjunto de conhecimentos prévios, atribuir um significado àquilo que lê, interpretando o mundo à sua volta. Deste modo, com esta sessão pretendeu-se exatamente fornecer um conjunto de pistas para descodificação da cultura visual a partir da análise da evolução do cinema realizado em Portugal. 

A sessão, através do visionamento de excertos de filmes, descreveu o nascimento do Cinema Português pela mão de Aurélio Paz dos Reis, seis meses após a apresentação do Cinematógrafo pelos Irmãos Lumière em Paris em 1825, passando pelo cinema mudo, a crise cinematográfica em Portugal, entre a instauração da República e o final da primeira Grande Guerra, pelo surgimento da Invicta Film que dá início à produção contínua de filmes Portugueses, pelo surgimento do cinema de comédia em 1933 com "A canção de Lisboa" realizado por José Cotinelli Telmo, pela vulgarização dos cineclubes, pela assunção das primeiras longas metragens nos anos setenta, até ao cinema da atualidade. 

domingo, 16 de março de 2014

Esta língua Portuguesa de José Jorge Letria - Semana da Leitura

A minha pátria é a língua Portuguesa - A poesia na Semana da Leitura

Ler o mundo através da Arte na Semana da leitura 2014

Da responsabilidade da Professora Teresa Campos, e no âmbito das comemorações da Semana da Leitura 2014, foi levada a cabo a Exposição "Ler o Mundo através da Arte".
 
 
Os trabalhos realizados pelos alunos tiveram como objetivos específicos desenvolver e estimular nos alunos o gosto pela arte, reconhecer a importância da arte no contexto nacional e internacional, desenvolver nos alunos a capacidade de distribuição dos elementos no espaço e levá-los a aplicar diferentes técnicas de pintura e diferentes riscadores bem como conhecimentos em termos da teoria da cor.
 
A partir de quadros famosos, os alunos fizeram as sua próprias criações artísticas, desenvolvendo a sua capacidade de ler e compreender o mundo através da arte.
 
A par dos trabalhos práticos, foram ainda realizadas diversas produções escritas sobre grandes nomes da pintura nacional e internacional.
 
 
 

sábado, 15 de março de 2014

Pontével A ler+

Dia 17 de Março, pelas 9.45h: Proposta de leitura e reflexão em sala de aula sobre um texto alusivo ao tema “ A minha pátria é a língua Portuguesa!”


Pretende-se que à mesma hora e em todas as Escolas do Agrupamento D. sancho I de Pontével, crianças e adultos se dediquem à fruição do prazer da leitura, assinalando-se também de forma simbólica o início da 8.ª Edição da Semana Nacional de Leitura.

Solicitamos por conseguinte a todos os Professores e Educadores que dediquem este período à leitura e reflexão em sala de aula sobre a importância da língua Portuguesa e da leitura a partir de uma leitura de um texto que considerem pertinente.

A Biblioteca Escolar, em articulação com o Departamento de Línguas, apresenta ainda as seguintes sugestões de leitura:

Pré-escolar: 


Gosto do Jardim-de-Infância

Gosto do Jardim-de-Infância
Porque cá posso brincar
Fazer lindas construções
Depois tudo desmanchar.
Ouvir histórias e canções
Depois ser eu a contar…
Correr, saltar e jogar
Conversar e partilhar…
Gosto do Jardim-de-Infância
Porque cá posso pintar
Das cores que me apetecer
Posso cortar e colar
Fazer prendas para oferecer
Dar passeios, fazer rodas
E dançar até querer!
Ensaiar quando há festas
Para tudo correr bem…
Nesse dia sou artista
Para o pai e para a mãe…
Gosto do Jardim-de-Infância…
É difícil de entender?
Tenho cá os meus amigos,
Muitas coisas para fazer!

CUSTÓDIO, Lourdes, "No Jardim de infância", Ambar, Colecção giroflé








1.º Ciclo:

Esta Língua Portuguesa 

de José Jorge Letria


A língua que falas e escreves
é uma árvore de sons
que tem nos ramos as letras,
nas folhas os acentos
e nos frutos o sentido
de cada coisa que dizes.

É uma língua tão antiga
como isto de ser Português.
Teve o latim por avô,
que primeiro foi romano,
depois bárbaro,
mais tarde medieval
ou copista do Renascimento.

A língua cresceu como o país,
que se alongou até ao sul
e depois chegou às ilhas,
vencendo os tormentos do mar.
O país ganhou a forma
de uma língua de terra
capaz de usar palavras
como “lonjura” e “saudade”.
(…)
A árvore desta língua
tem nos ramos o segredo
dos mistérios mais antigos
e também os frutos doces
da ternura sussurrada
ao ouvido de quem chega
para nunca mais partir,
tamanhas são as saudades
da terra lhe ficaram.

É uma língua bela e doce
com mãos cheias de sinónimos
e grinaldas de metáforas,
capaz de encher de ouro
a arca dos poetas
até ao fim dos tempos,
que o tempo desta fala
não prescreve nem acaba
com a sede de ser eterno
sem deixar de ser moderno.
(…)
A árvore desta língua
merece o mais belo jardim
que alguém lhe possa dar,
pois já foi a casa-mãe
de Bocage e de Pessoa,
de Cesário e de Alexandre O’ Neill,
língua feita pátria
de um povo que não pode
manchar com erros a fonte
da fala com que se escreve,
da língua com que se diz.
Esta é a língua dos meninos
que brincam com as palavras
e fazem delas brinquedos
para alegrarem o recreio
 das histórias mais bonitas
que alguém pode contar.
(…)
A árvore desta língua
tem substantivos e pronomes,
adjectivos e verbos,
vocativos e conjuntivos
e outras coisas mais,
arca de um velho tesouro
que todos temos guardado
para não deixarmos morrer
a grandeza do que somos
e que só há-de acabar,
voltando à cadência da rima,
quando Portugal se calar.
(…)
Esta é a árvore de tudo
o que se diz em Português
por não precisar de ser dito
em alemão ou em inglês,
pois temos orgulho bastante
para fazermos da nossa língua,
que já foi peregrina e navegante,
a pedra mais preciosa,
seja em verso seja em prosa.

E o orgulho que temos
nesta língua portuguesa,
irá do berço para a escola
e da escola para a rua,
pondo em cada palavra,
uma pepita de ouro
e uma centelha de lua,
pois afinal esta língua
será sempre minha e tua. 

2.º Ciclo: 

Cada árvore é um ser para ser em nós

Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada.
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses


                                                                                                  António Ramos Rosa

As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.


Jorge Sousa Braga


Num Exemplar das Geórgicas

Os Livros. A sua cálida,
Terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.

Eugénio de Andrade


3.º Ciclo:


Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

         In Livro do Desassossego por Bernardo Soares